O setor de implementos rodoviários encerrou 2025 com uma queda de 20% no volume geral de vendas em comparação com o ano anterior. É o que diz os números da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (ANFIR), divulgados nesta última quinta-feira (5). José Carlos Spricigo, presidente da entidade, explicou que a retração foi puxada principalmente pelas famílias de produtos voltadas ao agronegócio. O segmento de graneleiros, maior família do setor, recuou 31%. Os basculantes também tiveram queda expressiva, de 30%.
Algumas pontas específicas apresentaram desempenho positivo ou menos negativo. O mercado de tanques registrou queda menor, de 10%. Já o segmento de baús e carrocerias de carga geral, especialmente as de alumínio, foi uma exceção, registrando crescimento de 12% em 2025. Esse desempenho é atribuído, segundo Spricigo, ao forte impulso do e-commerce e à mudança no comportamento do consumidor.
Exportações e cenário macroeconômico
As exportações, cujos dados finais ainda serão consolidados, apresentaram um “crescimento muito grande” em 2025, com destaque para mercados como Paraguai e Chile, sendo que este último deve retomar as compras em 2026. No entanto, o presidente destacou que o cenário macroeconômico permanece desafiador.
Spricigo listou diversos “pontos de atenção” que impactaram o setor no ano passado e devem seguir relevantes. Juros altos e crédito restrito, com alta inadimplência no sistema financeiro, dificultam os investimento; Assim como incertezas fiscais, já que essa implementação complexa e impostos sobre dividendos podem gerar instabilidade para investidores. O executivo também citou o gargalos logísticos, alta carga tributária e políticas tarifárias comerciais do exterior como outros pontos de atenção, analisando o cenário macro.
Projeções para 2026 e recuperação da frota
Para 2026, a ANFIR projeta a produção de aproximadamente 70.000 unidades de reboques e semirreboques, volume semelhante ao de 2025, mas com mudança no perfil. Espera-se uma recuperação das famílias basculante e graneleiro, que devem responder por 40% do total, impulsionadas pela previsão de safra recorde de grãos (350 milhões de toneladas) e pela nova tabela de fretes, que remunera melhor por eixo.
O segmento de tanques deve ter uma leve recuperação, com expectativa de chegar a 6.000 unidades (ante 5.000 em 2025). O baú de alumínio deve manter sua participação de 12% e pode crescer ainda mais na linha leve.
Um fator positivo destacado é o Programa de Renovação da Frota, que no primeiro mês financiou 1.100 caminhões e movimentou R$ 1,3 bilhão, atingindo 528 CNPJs diferentes. “Tá atingindo até o menor transportador, que é bom para uma renovação de frota”, afirmou Spricigo. No entanto, o programa atualmente não contempla implementos, uma lacuna que a entidade busca corrigir.
Ociosidade e desafios
Apesar das projeções, Spricigo revelou que a ociosidade na indústria de implementos pesados é de, no mínimo, 30%. “Nós poderíamos entregar 100.000 unidades tranquilamente, tem capacidade para isso”, disse, acrescentando que a situação exige que as empresas façam “muito bem o seu dever de casa” para superar o momento.
Spricigo também comentou sobre a alta demanda por produtos usados em 2025, principalmente rodotrens, que impactou as vendas da indústria nova. “Esse ano não deve acontecer, esse ano vai ter compra de produtos novos”, projetou.
O início de 2026, contudo, não foi animador. As vendas de reboques e semirreboques em janeiro caíram 30% na comparação com janeiro de 2025, uma queda classificada como “inesperada” pelo porta-voz, que a atribuiu a férias coletivas mais longas e ao cenário ainda difícil de crédito.
José Carlos Spricigo se diz cauteloso, mas otimista, aguardando uma efetiva redução dos juros, do controle fiscal e da recuperação da rentabilidade do transportador brasileiro ao longo do ano para melhorar os números.
Por Victor Fagarassi
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