São Paulo – O desempenho da indústria de implementos rodoviários brasileira em 2025 não foi bom, na avaliação de José Carlos Sprícigo, presidente da Anfir. Apesar do aumento de 10,8% no emplacamento de carrocerias sobre chassis, a linha leve, para 78,2 mil unidades, a linha pesada, de reboques e semirreboques, seguiu o mercado de caminhões e fechou o ano com retração de 20%, para 71 mil equipamentos.
“Bom é quando a linha pesada bate 88 mil, 90 mil”, afirmou o executivo. “Este cenário de 70 mil não é bom para as empresas, gera muita disputa por preços, aperta as margens. Precisamos retomar.”
Não será ainda em 2026 contudo. A expectativa da Anfir é a de um mercado andando de lado, até um pouco abaixo do ano passado, de acordo com Sprícigo: 70 mil reboques e semirreboques e 78 mil carrocerias sobre chassis. Ele pondera que, com a taxa de juros no patamar de 15% ao ano, empresários estão preferindo manter o dinheiro no banco, rendendo, do que fazer investimentos.
Efeito indireto do programa do governo
O Move Brasil, programa criado pelo governo federal para incentivar a renovação da frota de caminhões, pode gerar frutos indiretos para o setor. O presidente da Anfir celebrou o balanço de janeiro, com 1,1 mil unidades financiadas com os juros subsidiados:
“Chama a atenção o fato de que foram 1,1 mil caminhões para 528 CNPJs diferentes. Foi uma procura bem pulverizada, os grandes frotistas ainda não foram às compras. Embora o financiamento do implemento não entre no programa todos os caminhões vendidos precisarão de um para rodar”.
Ele lembrou, também, que a carência de seis meses para pagar a primeira parcela ao BNDES ajuda ao empresário, que tem tempo para investir no implemento. E ressaltou que 13% da verba destinada ao programa, de R$ 10 bilhões, já foi utilizada: “Deve acabar rápido”.
Sprícigo procurou manter o otimismo. Lembrou que novembro é o mês da Fenatran, que sempre funciona como vetor importante para a venda de caminhões. E, até lá, a taxa de juros já deverá estar em trajetória descendente, mais um incentivo ao empresário para renovar sua frota.
Jornalista e Editor: André Barros
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